segunda-feira, 8 de abril de 2013

Diário de viagem. 1º dia no Chile



Preparem-se porque a viagem foi loooonga, apesar de termos ficados lá somente por uma semana. O nosso hotel foi um Ibis desses da vida que fica no bairro da Providência. Excelente escolha! Perto de metrô e cheio de barzinhos e restaurantes por perto. Chegamos Sábado a noite. Domingo de manhã começamos a nossa caminhada que durou 7 dias.

(Se quiserem ver a foto melhor, basta clicar em cima delas, ok?)

Como fomos andando para tudo quanto é lado? Como??? Arrááááá. Eu tenho o mapa-man!


Multiplique isso por 376 e terão um breve noção de quantas vezes eu vi essa cena. Quando o mapa-man coloca a mão no queixo e depois olha ao redor quer dizer que %$#¨&  geral. 

Começamos pela Plaza de la Aviación. Essa foi a primeira vez que veríamos esses charmosos chafarizes.

Antes de começar o meu diário que fique claro que eu posso ser espertinha em muitas coisas, mas de
história eu sou uma topeira tal como Carla Perez deve ser em Física Quântica que, diga-se de passagem, eu também não sou lá grandes coisa. Mas voltando o foco para a minha ignorância, eu do Chile nada sabia e quando digo nada é nada mesmo. No entanto, eu sou curiosa e aprendi um tanto de coisas das quais não vou relatar aqui para não ficar parecendo não como as aulas de física cheias de descobertas e desafios e sim como as aulas de história, ou seja, um saco. Como o blog é meu acho que posso falar o que eu quiser desde que peça perdão depois. Isso posto: perdão, colegas, pela minha sinceridade. Mas voltando ao que eu queria dizer, ser ignorante é uma dádiva e assim aprendi um bocado de cada buraco que me meti. Por exemplo, que em Santiago existia uma plaza dela Aviacion! Lindo!

De lá partimos andando para conhecer o famoso Cerro de San Cristobal . Cerro quer dizer morro pelo que entendi. Para quem é do Rio estranha essa parada de valorizar morros porque aqui a gente os vê para tudo quanto é lado e nem se liga muito - com exceção dos nossos cartões postais, é claro. Mas lá pelo fato de ter pouco, a despeito das Cordilheiras do Andes, o troço é valorizado as pampas. Como fomos andando, no caminho a primeira surpresa. Santiago tem muitos cachorros! Um "enxame" de cão para todos os lados e eles são enooooormes! Parecem ursos (como dizia o Nelson gritando)!



Essa série aí em cima foi feita em vários momentos diferentes da viagem e eu tenho muito mais aqui, mas esses são os principais. Fiquei bem impressionada com o cachorro de olho azul. Não foi efeito e nem defeito da máquina. O bicho tinha lá esse olhar profundo-anil. O outro sentado no meio de um chafariz também me fez parar e apertar o clic. Assim como a estátua que estava bem no meio do aguaceiro (e que eu até me esqueci de fotografar) lá estava o cachorro paradão como se fosse feito de bronze. E assim eles fizeram parte da paisagem e da minha viagem: ouvindo conversas dos zoto nos parques, fazendo gracinha pra receber carinho na barriga, trabalhando (como o lá de cima de uniforme) e deixando eu pegar seus filhotes. Pastor-alemão era vira-lata lá. Vi vários soltos, gordos, peludos, lindos e, para o Nelson, coitado, amedrontadores.

Eu tenho lá meus problemas com insetos e cachorro para mim é festa. Mas Nelson trava quando vê um poodle se aproximando. Fica arrepiado, tenso e não responde por si. Os cachorros Santiaguenses parecem que perceberam essa tensão no ar e, como este da foto ao lado, o primeiro de muitos, seguiu o Nelson, perseguiu o Nelson, latiu pro Nelson voltar (quando ele atravessou a rua correndo no meio dos carros sem ao menos olhar para os lados), esperou o Nelson sair do esconderijo (que foi o buraco da estação Salvador do metrô)... enfim, eles amaram o Nelson. Enquanto essa primeira cena acontecia, euzinha fotografava tudo o que podia e já deitada curtia  a grama do Parque Balmaceda que é coladim com a plaza de la Aviacion.

No caminho para o Cerro de San Cristobal passamos pela Universidad San Sebastian. Eu achei bem maneiro essa arquitetura porque parece que colocaram uma tampa gigante em cima do prédio. Me amarrei na tampa:



Enfim, chegamos ao tal Cerro. Para subirmos, usamos o tal do 'funicular' que eu não tinha a menor ideia do que fosse. Li no blog "Viagem na Viagem" que deveríamos usar o funicular. Ãhn?  Funicula tu? Funicula-me... no caminho fiquei pensando bobagem, e ao chegar lá descobri que era isso aí:


Um tipo de trem da época medieval (época medieval é por minha conta) que é puxado por cabos de aço. Não inspira nenhuma segurança, mas esse é um modo de subir sem fazer esforço nos cerros. Oba! Em Valparaíso que é formada de cerros é uma funiculada só. Mas fiquemos, por ora, no parque.

Chegando lá no alto, uma surpresa! Várias bicicletas, pessoas com tênis, roupas de ginástica...



Olha um cachorrão aí de novo... Mas interessante... muuuuita gente prefere subir pedalando e andando do que funiculando, ainda não sabíamos por onde eles subiam, curiosidade que foi rapidamente resolvida. Antes, porém outra descoberta das galáxias:  muuuuuitas dessas pessoas bem dispostas estavam comendo um troço que eu nem sabia o que era e quis também. Mote con huesillos heladitos! Não perderia isso por nada! Os amendoins no fundo são uma espécie de trigo, vem com um pêssego bem doce e o líquido tem gosto de calda de pêssego em calda. Muy delicioso!




O hors concours lá de cima é a Imaculada Concepcion. Uma estátua da Virgem Maria de uns 20 metros de altura. Essa foi a primeira vez que a vimos:



Lá do alto é de onde temos a vista mais panorâmica da cidade com montanhas ao fundo. No dia que a gente foi lá, estava nublado e a máquina não ajuda muito, mas roubei a foto dos zoto para vocês terem uma ideia do que nós vimos:



Maneiro, não? Lá em cima também é bem bonitinho. Tudo muito bem cuidado e muuuito verde.


Pois então, descendo um pouco havia uma central para turistas tirarem dúvidas, lá vimos esse mapa. E a gente se amarra em fazer turismo com mapa nas mãos.



Vejam, vocês, que a Imaculada está num pedaço pequeno de todo o Parque. Por que não conhecer toooooodo o resto desse cerraçaço lindão? Por que não? Entramos na primeira trilha que encontramos e perguntamos para o primeiro casal que vimos como chegaríamos aqui. Nosostros quieremusss chiegare aqui! E apontamos um ponto distante da Imaculada no mapa. Eles entenderam perfeitamente e responderam de uma forma que não nos deixou a menor dúvida do que deveríamos fazer. Acá nosostros,si?, isquierda siempre, siempre isquierda! Derecho alá meu bom alá e lá fomos nós.


Calça jeans e tênis descolado de andar no centro da cidade e com toda a minha performance física, não deu outra. Vários estabacos. Não havia como se perder porque de onde estávamos sempre víamos a cidade toda lá embaixo. Qualquer coisa, bastava andar em linha reta morro abaixo. Ainda assim, pela trilha havia vááááááárias bifurcações e zero placa. Isquierda siempre, Nielison! Nielison, Isquierda siempre! Eu, esperta que só, seguia as instruções do hombre e assim assim ficamos umas quatro horas perdidos na trilha de terra seca.



Até que encontramos algo! Eba! Humanos!!! Placas!!!!


Na  'Casa de la Cultura', pegamos os últimos três minutinhos de uma dança mega estranha na onde só o pé da menina dançava e o resto do corpo ficava parado. Um tipo de sapateado irlandês (o irlandês é por minha conta, mas acho que dessa vez eu acertei). Daí, depois eu resolvi seguir o fluxo. Disse na primeira pessoa 'Eu resolvi' porque Nelson me apontava para o lado oposto, mas eu estava cansada de me perder dos humanos e comer terra seca. Bóra Nielison, larga disso! Isquierda!Isquierda, Nielison!


E seguindo o fluxo... mais um cachorro perseguidor de Nelson. Este ficou com a gente até...


... até darmos de novo com quem? Com a Imaculada Concepcion!!!!  Fala sério!

Descemos funiculando e lá embaixo já devidamente funiculados, andando derecho isquierdo derecho derecho saimos na La Chascona, uma das três casas-museu do poeta Pablo Neruda. Agendamos uma visita para o início da noite e bóra pro Mercado Central que eu tô muerta de fuome! O bom de  ir andando é que a gente descobre muitas coisas legais pelo meio do caminho, tais como essas casinhas e esse casarão.



Enfim, Mercado Central! Comida nhac nhac nhac! Esse Mercado é uma atração a parte por si só. Ele tem toda a estrutura montada em ferro, e uma vez lá dentro vemos bancas de especiarias, peixes, legumes, restaurantes... todos muito tradicionais e do mesmo dono por anos. O lugar é todo decorado com bandeiras de povos que já passaram por ali e os restaurantes tem as paredes repletas de fotos de celebridades de todos os tipos que já estiveram lá. Um furdunço de dar água na boca só de sentir o cheiro de toda aqueles frutos do mar vindos do Pacífico. É claro que eu eu comi o que consegui. Voltamos lá umas três ou quatro vezes.


Aquele troço que parece uma flor cor-de-abóbora no canto direito superior eu não comi porque não deu tempo. Mas fiquei bem curiosa. Comi tunas (uma fruta muito doce tipo kiwi) e enchi o rabo de suco de Chirimoya! Uma forma bem honesta e nada elegante de se expressar. Eu sei... A cerveja da foto é só de onda. Não bebo nada, só provo. Álcool comigo em doses mínimas causa uma enxaqueca dos diabos.

Ah! E é claro, depois de tantas andanças só no primeiro dia, tínhamos que comer uma Centolla. Um tipo de caranguejo gigante mega delicioso. A  minha mãe me ensinou a não brincar com comida, mas dessa vez...


Com o bucho cheio, saindo do mercado e atravessando a rua nos deparamos com a Estación Mapocho.  Linda linda linda! Lá dentro tem o Centro Cultural Mapocho onde ainda filamos a amostra 'Imágenes de una Nación'.



Da Estación Mapocho direto para a Plaza das Armas. Mas no caminho... tanta coisa... Eu fotografei o que deu com a minha maquininha de bolso. Seguem alguns clics.


A Plaza das Armas é um troço de doido em todos os sentidos. Linda de morrer! Cercada por construções históricas mega imponentes tipo A Catedral Metropolitana, O Museu Histórico-Nacional e o Museu de arte pré-colombiana.




Mas há também o meio da praça. E essa meiuca, minha gente... foi um barato à parte.


É mulher a la Sula Miranda fazendo a festa dos frequentadores da praça, é criança brincando, é mágico fazendo graça com o povo que por lá passa... enfim, um largo da carioca cercado por construções imponentes por todos os lados. Um lugar beeeeem interessante para se ficar por horas. Mas bóra voltar porque ainda temos que ver o Neruda hoje!!!

Voltando por outras ruas lá pro lado do Cerro de novo já que a casa de Neruda fica lá por aquelas bandas...tantas surpresas no caminho...




Eu vi senhor simpático vendendo livro legal, vi a pobreza, vi uma rua deserta e linda, vi a amizade, vi pinturas na parede extremamente criativas, vi esculturas de livros, vi vilas de dar vontade da gente morar lá dentro... eu vi taaaanta coisa legal...

Até que chegamos à casa de Neruda. Eu estava mega empolgada, afinal, li o rapaizinho e o imaginava um ser hiper romântico dado às poesias que escreveu. Imaginava um homem simples. Sem frescura e de uma mulher só. Qual o quê, minha gente, qual o quê... o homem era um safado, construiu parte de "La Chascona" para uma outra safada. A casa parece um labirinto porque ele se achava um "marinheiro da Terra" e queria se sentir perdido, tonto, quiçá nauseado... fresco, cheio de louças da França, da Itália, de copos coloridos porque para ele a água mudava de sabor conforme a cor do copo, obras de arte até da Índia que não combinava com nada. Vá lá, a casa é um museu de artes. Tem quadros de gente famosa em todas as paredes, esculturas e instrumentos científicos tipo astrolábio e bússolas usadas na época em que foram inventados e nunca por ele, é claro. Livros por toda parte! Isso eu achei maneiro. Chão de madeira. Mega acolhedor. Ok.  Mas de resto... se me soltassem em qualquer cômodo eu não sabia ir embora dali.

Bom, tirar foto de dentro da casa é proibido, mas só fiquei sabendo depois de ter batido um bocado. Dei uma de João sem braço que não entendia a língua que era falada ali (o que de tudo não foi mentira) e clic clic clic.


Olhando assim, algumas partes da casa não dá para ter noção do todo. Tem cômodos acolhedores, mas no todo o bagulho é doido. Vai por mim.  Ah, essa é a cama que o safado dormia com a outra.

Aqui embaixo tem as fotos do lado de fora da Chascona:


E para finalizar, fomos a um lugar ali perto chamado Bella Vista. Um lugarzinho mega agradável onde finalizamos a nossa noite.




E esse foi o nosso primeiro dia.   =)





7 comentários:

  1. Amei a viagem, aprendí muito com o passeio, lembrei da Aline com uma foto exatamente igual com o enorme caranguejo, mas... posso ser sincera? Amei as histórias do Nelson e os cachorros! Diga prá ele se acalmar e se dar por feliz, pq cachorro conhece pelo faro quem é gente boa!
    Obrigada pelo passeio! Quando tiver outro, me "leve"!
    Alice Garcez

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    1. Oi, Alice

      Fiquei muito feliz com o comentário. Primeiro por ter sido vc a comentar, e segundo porque compartilhei bem do jeito que eu queria todas as histórias.

      Qto ao Nelson, e vc acha que eu não falei para ele que não era perseguição e sim intuição canina? =)

      Beijos e obrigada pela presença!

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  2. Histórias muito boas!!! Fiquei impressionado com a estação, não cheguei a passar lá quando fui... :( Terei que voltar, puxa, "que chato"!kkkkkkkkk!!!
    Também não tinha me interessado muito de ir à casa do Neruda, mas da próxima vez eu vou! rsrs!!!

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    1. Oi, Leonardo!

      O barato é esse. É vc ir no mesmo lugar que o outro e ver coisas diferentes! Essa é a magia de um álbum de viagens e da troca de experiências.

      babei nas suas fotos. =)

      Beijos

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